Iphan propõe faxina visual no Centro Histórico de Iguape

Flávia Domingues
Iguape

Em breve, a poluição visual que invade o Centro Histórico de Iguape passará por uma faxina. Toldos, letreiros, placas e propagandas comerciais deverão obedecer a regramentos de forma a valorizar a arquitetura colonial escondida em meio a tantas propagandas que acabam encobrindo e desvalorizando o Centro Histórico e seu entorno tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) há um ano. O assunto foi debatido com os proprietários de bares, restaurantes e comércios da cidade durante a reunião “Conversa com o Iphan”, na quinta-feira (28/10) à noite, conduzida pelos arquitetos Carina Mendes, Giovanni Sarquis e Ronaldo Ruiz, no auditório da Casa do Patrimônio de Iguape.
A reunião não obteve a participação maciça dos comerciantes, mas contou com a presença de membros importantes do comércio, com o presidente da Associação Comercial de Iguape (ACIGUAPE), Ataíde Lúcio Moura Jr, que fez o papel de porta voz da classe. Uma das preocupações colocadas foi quanto ao procedimento nas mudanças das fachadas e o tempo que os comerciantes terão para se adaptar às novas regras.
De acordo com explicações dos arquitetos, qualquer mudança na fachada dos prédios históricos, seja para pintura, letreiros ou restauro, deve preceder de um projeto que deverá ser protocolado na Prefeitura de Iguape, que por sua vez enviará diretamente ao IPHAN em São Paulo para avaliação e prévia aprovação do pedido. Quanto ao tempo para esse novo regramento, será feito paulatinamente, já que envolve demanda de recursos e investimento para os comerciantes.
São 32 orientações elencadas pelo IPHAN que devem ser observadas pelos moradores e comerciantes no requisito toldos, fachadas e letreiros baseados em estudos e experiências aplicadas em outras cidades tombadas pelo Instituto, que possuem semelhanças e características com a arquitetura e patrimônio de Iguape. Cidades como Ouro Preto em Minas Gerais e Salvador na Bahia, tombadas e monitoradas também pelo IPHAN, já passaram pelo processo de revitalização, organização e faxina visual de seus centros protegidos e hoje prosperam com o turismo nacional e internacional.
De acordo com a exposição dos arquitetos, a ideia do IPHAN é que o órgão seja um parceiro e orientador dos comerciantes e moradores locais na construção dessa nova identidade que a cidade está redescobrindo, onde imposições e punições não são prioridades, porém, com ressalvas: “Ninguém quer multar ou punir ninguém, essa é a recomendação da presidente da IPHAN, Anna Beatriz, porém, não podemos esquecer que existe um Decreto Lei e que somos cobrados e fiscalizados pelo Ministério Público, que quer saber por que a lei não é aplicada quando alguma coisa está errada”, ressaltou o arquiteto Ronaldo Ruiz.
Na conversa também foram discutidos estudos e planejamentos que podem acontecer a partir de 2011 para abertura de linhas de crédito a fundo perdido, carência especial e juros zero pela Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES para restauro e manutenção dos prédios históricos. Também existem estudos para que as residências e comércios históricos tenham abatimento no IPTU como incentivos da municipalidade para os proprietários da área tombada e seu entorno.

Comerciantes aprovam regras
O presidente da Associação Comercial de Iguape, Ataíde Jr, disse aprovar a forma como o IPHAN vem trabalhando a questão do Patrimônio Histórico. “Estão falando em mudanças mas de acordo com as condições locais, estão nos ouvindo e dando tempo para nos estruturar as novas condições. Mas que as mudanças vão ocorrer isso vai, e vão ser positivas e com certeza a cidade vai ficar melhor, mais limpa e democrática”, observou Jr.
Alzira Dantas Demartis, proprietária da Casa Econômica, disse que gostou muito da reunião, lamentado apenas a pouca participação dos comerciantes no encontro: “Deu para entender bem a proposta, para mim não ficaram dúvidas. O objetivo é o de melhorar a cidade. Espero que não fiquem apenas em uma reunião, muitas coisas teremos que discutir ainda como portas, cores e calçadas. O que está precisando por parte dos comerciantes daqui para frente é mais conscientização e participação para depois não reclamar que não sabia!”, ressaltou a comerciante.
Um dos proprietários das Casas Simões, com mais de 60 anos de fundação em Iguape, Pedro Simões disse que sentiu que finalmente “há algo de concreto”. “Senti que não é propaganda enganosa e isso deve ser divulgado. Não vou me aborrecer se tiver que me adequar a algumas coisas se é para a cidade ficar melhor”, assinalou Pedro.

Fonte: Jornal Regional 08/11/2010

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Categorias: Notícias | 1 Comentário

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Uma opinião sobre “Iphan propõe faxina visual no Centro Histórico de Iguape

  1. Carina Mendes

    Gostei muito da matéria e do depoimento dos comerciantes!
    Obrigada a todos pela contribuição e participação neste evento! E vamos continuar conversando para construir estas diretrizes que são tão importantes para a cidade!
    Beijão
    Carina – IPHAN/SP

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